O porquê da luta contra a violência sobre as mulheres

Por diversas vezes somos confrontadas com a questão: porque é que a violência de contra as mulheres tem que ser tratada de forma diferente dos outros tipos de violência? Não seria mais fácil e mais eficaz pensar, resolver o problema da violência de uns seres humanos sobre outros, no geral?
Pergunta legítima, resposta negativa. Temos que adotar uma postura radical, compreender a questão desde a raíz, porém, do seu desbobramento, o que produz dados efeitos pode ter inúmeras causas.
A violência contra as mulheres (ou o “direito” de agredir mulheres) está ligada a uma relação de poder na sociedade. Quer queiramos aceitar, quer não, a introdução do sistema capitalista, próprio de uma sociedade de consumo, em muito contribuiu para que a mulher fosse mantida na esfera privada, como encubadora de descendentes, aqueles a quem a herança viria a ser legada, permitindo somente ao homem a participação na esfera pública.
E, como o homem detinha e controlava o capital, exercia poder sobre a mulher. Contudo, para garantir a eficácia da sua ação, foi necessário edificar e enraizar a ideia de que a mulher é inferior ao homem e, como tal, ela teria que sagrar essa realidade e ser por ele governada. Tal relação de poder entre os dois géneros permanece até hoje, ainda que com algumas modulações.
Por isso, não podemos abandonar esta luta sob pretexto de abraçarmos uma luta maior, perfeitamente válida, mas que não foca a sua ação no busílis da questão: o lugar da mulher numa sociedade. São fundamentais as leis que colaborem na emancipação/empoderamento das mulheres, sobretudo porque coadjuvam no processo de mudança de comportamentos da sociedade.
As mulheres do mundo só serão efetivamente livres numa sociedade em que seja possível erradicar as teias produzidas e reproduzidas quotidianamente, pelo sistema capitalista, quando se exterminar a naturalização dos vários tipos de violência contra as mulheres.
Que se quebrem os silêncios. Que se desconstruam os estereótipos. Que se punam os criminosos. Por todas nós.