“Levanta-te Porto”: Uma iniciativa digna de gargalhadas???

Eu não quis acreditar quando se riram na minha cara assim que proferi as palavras:  movimento e iniciativa. Falava da experiência “Levanta-te Porto” e gargalharam… gargalharam de tal forma, que quase foi preciso chamar o 112 em virtude de ataque cardíaco provocado pelas minhas palavras. Colegas de trabalho queridos (sim ambos muito queridos!)… Argumentei que se não nos manifestássemos pelo que acreditamos, desejamos não só para nós, mas também para outras pessoas, pessoas como nós, quem o iria fazer!? Se não reivindicamos estamos a compactuar com o sistema vigente! E se este mesmo sistema não corresponde às necessidades das pessoas, pelo contrário, induz outro tipo de necessidades, camuflando as reais , é preciso que nos manifestemos, que apresentemos alternativas de ação! Contra-argumentaram dizendo que “sozinha de nada seria capaz e que não iria mudar o mundo…” Enfim! O mesmo “blá blá” de sempre, vindo de quem apenas consegue alcançar uma visão tão reduzida: até ao próprio umbigo…

Bem sei que não tenho qualquer moral para criticar a atitude e comportamentos de quem quer que seja, pois cada pessoa é livre de pensar e de se expressar como bem entender! Contudo, ao criticarem a minha posição merecem reposta! Não pretendo mudar o mundo com os meus ideais. Se conseguir influenciar positivamente a visão negativa e limitada  de algumas pessoas, já fico muito feliz! Não estou sozinha, pois bem sei que outras pessoas se importam e pretendem manifestar essa posição, assim como participar nos processos de mudança, ou mesmo pressionar no sentido de que quem detém o poder o coloque em acção. Apenas gostaria de trilhar caminhos, criar opções e compartilhar a máxima de que nada é impossível à partida! Há tempo para que as dificuldades surjam no curso de uma acção, no desenrolar dos acontecimentos! É preciso sim que exista a acção própriamente dita! Não devemos parar face ao mínimo obstáculo e interpretar esse obstáculo como um “sinal”, um indicador de que é altura certa para desistir! Na minha simples opiniao, deveriamos encará-lo como um desafio que faz parte da nossa existência, do nosso percurso e que nos tornará mais fortes e capazes! Que é isso de olharmos única e exclusivamente para o nosso umbigo!? Eu, pessoalmente, não sei o que isso é , na medida em que vivemos num mundo que a tod@s nós pertence em sucessivas relações de interdependência!! A título de exemplo, ponham os olhos no estado do nosso  planeta. É confortável sabermos que existem crianças no mundo sem água própria para consumo!? Pais sem possibilidade de nutrirem os seus descendentes? É de loucos!!! Como foi isto acontecer? Creio que sabeis a resposta…É triste .

Acho que não continuarei por hoje, pois sei que regressarei ao ponto de partida com as minhas observações, o que me levaria a adoptar um pessimismo de tal ordem, que creio não ser neste momento capaz de superar. Preciso de equilibrar (e calibrar) as minhas energias para continuar a minha jornada. E que fique bem claro, que respeito as ideias dos demais, desde que tal respeito seja recíproco. Ah, não desistirei de esbater estas IDEIAS TÓXICAS…FUI!

Isabel Soares