Gerontologia educacional

Gerontologia educacional

David Peterson foi o primeiro autor a falar do termo “ gerontologia educacional”, em 1970. Segundo este autor este conceito é uma tentativa “de aplicar o que se conhece sobre educação e o envelhecimento em benefício da melhoria de qualidade de vida dos idosos”, (1980, cit. Cachioni et al. 2004, p.105) contemplando: a educação para os idosos; educação para a população em geral sobre a velhice; formação de recursos humanos para o trabalho com idosos.

Contrapondo esta teoria, Lemieux apresenta a “gerogogia crítica”[1], “menos conservadora e mais emancipadora para os idosos”. Na sua perspectiva, Lemieux (2000, cit. Cachioni et al. 2004, p.105) a gerontogogia, como ciência social, está mais focada para o ensino e a aprendizagem do que a idade dos educandos. Na verdade é necessário um complemento das várias ciências sociais como a psicologia, antropologia, a sociologia, a filosofia, economia, a história, entre outros, que permita encontrar programas mais ajustados para estes indivíduos, ou seja, para que em determinado momento se possa decidir “ sobre o quê, o como e o para quê da educação às pessoas idosos” (Cachioni et al. 2004, p.105)

Em Espanha desde 1960 a formação dos chamados “gerontagogos” esteve em estreita ligação com o curso superior de Animação Sociocultural. O docente passa a ser chamado de “ animador sociocultural ou educador social” sendo perspectivado como “um agente de apoio que estimula a iniciativa grupal; uma pessoa que conecta os indivíduos ao seu ambiente; provoca neles actividades de pesquisa, análise, criatividade, reflexão e organização social; incentiva o afloramento de conflitos e de soluções informadas e críticas, promove a participação cidadã e coordena a produção social comunitária.”

Quintana (1986, cit. Cachioni et al. 2004, p.106) afirma que “um animador social é um educador social porque investe na busca, no descobrimento e na exposição das causas de desigualdades individuais e sociais”.

A aprendizagem na velhice não está ligada ao factor idade, mas sim às condições em que se realizam (1999, Tanner, cit. Cachioni et al. 2004, p.110). É necessária a promoção de “ambientes educativos estimulantes ao pensamento original e crítico” conducente a uma qualidade de aprendizagem nos indivíduos idosos tendo como princípios: “concepção realista da velhice”, as suas características e histórias individuais; “os idosos são os verdadeiros sujeitos do próprio processo educativo”; podem ser autores e “ actores da transformação da realidade histórica – social; entender a educação de idosos como um sistema com fundamentos, princípios e finalidades específicos e promover valores humanizantes sem cair no assistencialismo e na tutela política de idosos”.

Palma (2000, Cachioni et al. 2004, p.111) apresenta a “metodologia participativa problematizadora[2]” (investigação acção-participante) como uma proposta pedagógica para idosos, ou para outras faixas etárias, em que os indivíduos envolvidos são o “investigador/ educador” e o “educando/actor”. Numa relação dialógica, co-participativa, procura-se reflectir acerca da realidade onde os indivíduos estão imersos para “descreve-la e explica-la, gerar conhecimento e actuar sobre ela”. Efectivamente, à medida que o ser humano reflecte sobre a sua história e responde aos desafios, “ele se compromete, cria cultura, constrói-se a si mesmo e torna-se sujeito”.

Segundo o olhar de Simone Beauvoir (1990, Cachioni et al. 2004, p.112) a “liberdade e a lucidez não servem para grande coisa sem novos objectivos e desafios (…) o importante para o velho, mais do que gozar de uma boa saúde, é sentir que tem metas, pois a ausência de projectos mata o desejo de conhecer.”


[1]O termo gerogogia foi utilizado em 1978 pelo professor Almerindo Lessa na Universidade Portuguesa de Évora, e por Bolton nos Estados Unidos da América, todavia foi Lemieux que “estabeleceu o seu significado como ciência educacional interdisciplinar cujo objecto de estudo é o idoso em situação pedagógica.”

[2] Sugerida por Bordenave em 1983

Revista:

  • Cachioni, Meire; Neri, Anita Liberalesso (2004) “ Educação e gerontologia: desafios e oportunidades” Revista Brasileira de Ciências do Envelhecimento Humano, 99-115. Passo Fundo;