Os Gregos: a coluna de J. L. Pio de Abreu no “Destak” (de há já algum tempo…)

“Acusem-nos de tudo. Burros não são de certeza. Os gregos já descobriram que a sua falência arrastaria a queda do sistema financeiro mundial. Bem se podem eles desequilibrar, tombar, atirarem-se pela janela ou de cima das colunas do Partenon. Ninguém os vai deixar cair. Até a senhora Merkel tem de vir a terreiro para os amparar. Calculo que antes disso bata três vezes com a cabeça nas paredes, mas ela sabe que os seus eleitores endinheirados e pensionistas não resistiam ao colapso dos bancos.

Há tanto tempo nesta incerteza, os gregos já se adaptaram à nova vida. Quem os conhece diz que andam bem dispostos. Passam o tempo em manifestações, mas, com computadores na mão, entraram num nível de auto-organização e conhecimento nunca vistos. Todos vivem da economia paralela, apoiam-se uns aos outros e treinam a auto-subsistência. E, vejam lá, pode-se fumar por todo o lado. Isto, sim, é Europa livre, não é a América hipocritamente moralista e asséptica.

É claro que os líderes europeus e mundiais desesperam com o comportamento dos gregos. Já compreenderam que uma pequena nação indomável pode pôr em causa todo o sistema que alimenta as elites mundiais. Mas o problema não está nessa nação, está no sistema que eles criaram. Nada podem fazer contra os gregos mas podem, paulatinamente, mudar o sistema. Aliás, é isso que estão a fazer a contragosto. Os gregos sabem-no e nós também. Se o sistema não mudar, chegará o dia em que todos nos veremos gregos.”

J.L. Pio Abreu

 

Comentários

  1. Já dizia Duverger que o Estado, e de modo geral, o poder instituído numa sociedade (que é sempre e em todo o lado e ao mesmo tempo, instrumento de domínio de determinadas classes sociais sobre outras…), utilizado pelas primeiras em seu proveito e em detrimento das segundas, é um meio de garantir uma certa ordem social, para o bem comum….
    Pergunto eu, se “à política”(isto é, aos governantes…)não interessa apenas que se cumpram as leis e que seja mantida a ordem…e que, ainda que não cumpram os objectivos a que se propõem, isto é, que não manifestem produtividade, não sejam postos “no olho da rua”(lá se vai o não faças ao outro o que não gostarias que te fizessem a ti)!
    Importa então que se cumpram as leis e que seja mantida a ordem…e se a obediência às leis e a manutenção da ordem for resultante do medo inspirado pelos aparelhos repressivos do Estado, pouco importa…estarei a ser inconveniente????
    Estimado órgão do Governo:
    os fins jamais justificam os meios se esses meios contrariarem princípios éticos fundamentais!É necessário que coloquemos a política mais ao serviço de valores que promovam a edificação de uma sociedade com mais justiça e, consequentemente, com mais e melhores condições de cidadania!
    Sabemos que o vosso trabalho não é fácil, porém, dêem-nos a oportunidade de ajudar nesse trabalho que também é nosso e que também a nós diz respeito, deixando-nos PARTICIPAR.
    Por favor, parem de prometer aquilo que jamais, jamais serão capazes de se fazer cumprido, sem a nossa ajuda, sem a nossa colaboração…bloqueiem o sistema automático de disparo de ordens sem que levem em linha de conta, as reais necessidades deste Estado, que também somos nós!
    Compreendo que seja bastante mais fácil e menos desgastante conjecturar, depreender, inferir, do que simplesmente QUESTIONAR….
    Porém, deste modo, voltaremos a cair nos mesmos erros e a reacender e reforçar os mesmos fracassos de SEMPRE! Pois, se as atitudes são as mesmas…não se mudam os comportamentos….