Âmbitos/Dimensões da ASC…

Os âmbitos da Animação Sócio-cultural assentam na existência de uma dimensão triangular: âmbitos espaciais, onde caracterizamos e diferenciamos a Animação Rural da Animação Urbana; âmbitos etários, nos quais analisámos as designações de Animação Infantil, Animação Juvenil, Animação de Adultos e Animação na Terceira Idade, abordando, em simultâneo, as diferentes instituições que operam nos diversos escalões etários através de programas de Animação Sócio-cultural; e o terceiro âmbito, denominado como o sector das actividades e também das técnicas e recursos para a Animação, reflecte diferentes dimensões características da Animação Sócio-cultural – social, cultural e educativa.

Depreende-se que estes âmbitos de intervenção, reflexos da acção humana, não podem ser considerados separadamente ou de forma estática, isto é, nem autónomos uns em relação aos outros, nem como estagnados num dado momento. Os âmbitos da ASC consagram a Animação Teatral, a Animação Turística, a Animação Socioeducativa, a Animação na infância, na juventude, nos adultos, na terceira idade, entre outros. Todavia, há que mencionar outras modalidades, como a Animação termal, a Animação comercial, a Animação de prisões, a Animação de hospitais, a Animação comunitária, a Animação de museus, a Animação de bibliotecas, a Animação terapêutica, a Animação de rua, a Animação ambiental, na certeza que, no futuro, emergirão outros âmbitos configurados por novas realidades e necessidades sociais. Crê-se, que no futuro serão necessários variados Animadores que, promovam o bem-estar através de programas que estimulem a participação criativa e comprometida com o desenvolvimento humano.

Atendendo ao facto de que, em matéria de âmbitos, não se defende uma Animação “guarda-chuva” onde tudo se alberga, nem tão pouco se julga a Animação Sócio-cultural como uma metodologia onde se encontram respostas para todos os males do mundo. Devemos acreditar que a Animação Sócio-cultural, através dos diferentes âmbitos e com a execução de programas que respondam a diagnósticos previamente elaborados e participados porém, jamais estáticos, constitui um método potencialmente activo para levar as pessoas a “autodesenvolverem-se” e, consequentemente, reforçarem os laços grupais e comunitários.

A questão “modelos de formação dos animadores” trata da formação de Animadores, repensando uma série de questões históricas relacionadas com a natureza da função e da profissão de Animador, nomeadamente através da clássica divisão entre Animadores voluntários e profissionais.

Evidencia-se a importância do Animador na sociedade actual e considera-se as diferentes perspectivas formativas, estruturadas em duas correntes – corrente francófona nos anos 70/80, e corrente ibérica, a partir dos anos 90, que nos conferem visões diferentes, relativas ao perfil, à função, aos conceitos e à formação de Animadores.

Esta referência diz respeito ao futuro da Animação Sócio-cultural, aludindo ao facto de que, num tempo marcado pela incomunicabilidade ou pela comunicação mecânica e, ainda, pela assunção do homem institucional, frio, distante e indiferente perante o que o rodeia, a Animação Sócio-cultural emerge como necessidade humana “no sentido de dar sentido à vida”.

Apreende-se que o futuro da Animação Sócio-cultural exige responder aos inúmeros desafios: desertificação rural, grande densidade urbana, focos de marginalidade, grupos com necessidades educativas especiais, animação do tempo livre e do tempo de ócio de crianças, jovens, adultos e idosos, uma animação que responda ainda, à articulação dos espaços educativos formais, não formais e informais.

Podemos por tal concluir, que o panorama do nosso país pouco evoluiu comparativamente há década de 70, isto é, desde a institucionalização da ASC…É portanto urgente e fundamental a continuação da formação de profissionais do trabalho social, designadamente, Animadores Sócio-culturais, bem como o investimento na formação contínua, qualificação e actualização constante dos já em actividade.

Isabel Soares

N.B. – Esta abordagem foi elaborada com base num livro oriundo de uma tese de doutoramento da autoria de Marcelino de Sousa Lopes  (ano de publicação 2006).